Cancro gigante por sífilis em octogenário. Sempre lembrar da sífilis!
DOI:
https://doi.org/10.5327/DST-2177-8264-2024361386Palavras-chave:
Sífilis, Cancro duro, Sífilis primária, Cancro gigante, IdososResumo
Introdução: A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pelo Treponema pallidum. A doença tornou-se uma epidemia nas últimas duas décadas. Tem curso variável e é, muitas vezes, assintomática. Afeta múltiplos sistemas, podendo ter consequências graves ou mesmo de morte. Objetivo: Apresentar um caso de lesão exuberante associada à sífilis em um homem idoso. Relato de caso: Homem de 85 anos buscou atendimento por lesão peniana indolor. Relatou ter tido contato sexual oral (felação) com uma profissional do sexo seis semanas antes do surgimento desta lesão. Ao exame físico, observou-se uma úlcera de 3 a 4 cm no sulco balanoprepucial, com destruição do tecido subcutâneo até a fáscia de Buck. Sua borda era infiltrada e seu fundo, vermelho cárneo e limpo. Identificava-se linfadenomegalia bilateral com linfonodos elásticos, móveis e indolores. O teste imunocromatográfico rápido para sífilis foi positivo, sendo negativo para HIV, hepatite B e hepatite C. O tratamento foi realizado “in loco” com penicilina benzatina intramuscular na dose total de 2.400.000 UI. Conclusão: Ainda que seja mais comum em pessoas mais jovens, a sífilis deve ser sempre considerada entre os diagnósticos diferenciais das lesões genitais em idosos. Muitas pessoas idosas preservam a atividade sexual, especialmente com o aumento da longevidade e das medidas terapêuticas para disfunção erétil. A falsa crença que a atividade sexual deixa de existir em faixas etárias mais avançadas deve, portanto, ser abandonada.
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